Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
A frase final dessa poesia tem muito em comum com um filme francês muito delicado, delicioso, que assisti ontem no Cine Belas Artes: "Minhas tardes com Margueritte", que, com muita sensibilidade, nos diz que nem toda história de amor tem "eu te amo".
Já repararam isso? Vivemos grandes histórias de amor sem nos darmos conta disso. O amor pode ser sutil, aparecer de mansinho e corremos o risco de passarmos toda a vida sem saber que estamos vivendo um amor, de verdade.Tudo porque achamos que o amor é um grande luxo. Não é.

Um encontro discreto entre o amor e o afeto, não tinha outra coisa.
Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam.
Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração.
Nas histórias de amor há mais que amor.
Às vezes não há nenhum "eu te amo", mas se amam.
Um encontro discreto.
Eu a conheci por acaso no parque.
Ela não ocupava muito espaço, era do tamanho de uma pomba com as suas
penas.
Envolta em palavras, em nomes, como o meu.
Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram.
Não morra agora, há tempo, espere. Não é a hora, florzinha.
Me dê um pouco mais de você.
Me dê um pouco mais da sua vida.
Espere.
Nas histórias de amor
há mais que amor. Às vezes não há nem um
"eu te amo", mas se amam.
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