sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Antífona no Pontilhão



Ontem, 08 de Dezembro,  fizemos a instalação "Antífona" no Pontilhão de Ipatinga, uma ponte metálica que liga o bairro Veneza ao Centro da cidade.Começamos a montagem às  13:00h e daí em diante o trabalho já tinha começado, ou já estava pronto. A comunidade, que utiliza o local como passagem, interagia, discutia, dava idéias. Já tomava propriedade da obra que estava ocupando um local de todos, local deles. "Elas tão falando de paz. A paz é o branco. A paz num lugar cheio de drogas". " O que é isso?" É uma instalação artística. "Ah, mas tem alguma coisa de cultura, né?" Tem, tem sim. "Ah, eu sabia que era um movimento cultural." "Licença, moça, posso passar aí?" O espaço é de vocês, passem à vontade... Mas muitos não ficavam à vontade. Teve gente que tirou os sapatos para entrar naquele quadrado branco, teve gente que nem entrou, teve bicicleta sendo carregada. Mas também teve bicicleta passando correndo, carrinho de água de côco e de bebê. E crianças com aquela curiosidade que todo adulto devia ter...E bêbados, prostitutas, operários, crentes, estudantes, donas de casa. Bem vindos à  res publica
E lindo demais foram os muitos usuários de crack daquele local se interessando por aquele quadrado branco no meio deles. E respeitando o "nosso" espaço dentro do espaço deles, e interagindo. E curtindo. Ao ponto de, já no final da noite, eu e a Clô ( Maria Cloenes, artista visual e bailarina integrante do Híbridus ) desmontando a instalação, sentadas no chão, batendo papo com um desses usuários, que nos contou sobre sua vida, sua família, seu passado. E não é que descobrimos amigos em comum, lugares em comum? E, em comum também, a nossa condição humana. Naquele lugar branco, lugar de Antífona, ele respondeu ao nosso hino à arte.  Foi uma grande troca.
Obrigada à Flux Cia de Dança,  que possibilitou o início desse trabalho, através da bolsa da Ação Interceptar  ( Mercado Aberto da Dança 2011 ) e à Carla Paoliello e toda equipe do Banca Aberta 2011.


Vídeo Interativo

O assunto de toda história, no fundo, é o amor, não é mesmo? Vivemos em função de encontrar um amor, manter um amor, esquecer um amor...
Alunos do curso de Teatro da Universidade de Brasília fizeram um vídeo interativo para explorar as possibilidades do uso da câmera fixa enquanto instrumento de ensino das artes cênicas. O resultado foi muito interessante, sem muita edição, só com "truques" de distância, closes, vídeos de fundo. O bacana é que são recursos que podem ser utilizados em cena sem ficar com cara de cinema. Técnica de cinema com "cara" de teatro. Para a sala de aula ou para o palco. Aproveitem a tecnologia. Até na tecnologia tem poesia. (mas isso é assunto para outro post). Vamos ao vídeo:

http://youtu.be/4O5yOUrPW3w