Saí de "Antes do terceiro sinal" com aquela sensação gostosa que as boas comédias sempre proporcionam. Ri em vários momentos. Ri alto em alguns momentos. Mas não se precipite: a peça não é mais um besteirol no rol que a cada dia cresce, salvando da ruína produtores teatrais. É uma comédia leve, de bom gosto, com uma dramaturgia bem trabalhada, embora haja uma clara intensão de trazer um drama para o palco. A verdade é que o drama da atriz atormentada fica em segundo plano frente a persistência de seu companheiro em fazê-la entrar em cena. Seria uma tragicomédia se considerássemos seu final mas, sinceramente, a peça acaba um pouco antes do final. A peça termina quando toca o terceiro sinal, apesar da atriz Beatriz Falcão ( representada por Eunice Profeta ) continuar em cena.
A boa química entre a atriz e Alison Weler, já testada em peças anteriores, cria uma cumplicidade que se soma aos talentos individuais. Os diálogos travados entre os atores lembram-nos o teatro do absurdo, pois o mesmo teor da conversa se desenrola muitas vezes diante da platéia, como se o final do conflito não fosse possível, ao mesmo tempo em que a linguagem, impostação de voz dos atores, o figurino e algumas movimentações cênicas remetem-nos o teatro Realista. E essa é a principal característica do trabalho, que traz para a platéia informações sobre peças e estilos teatrais diversos, de Tchecov e Ibsen à Brech.
Adilson Mariano utiliza-se da metateatralidade para trazer uma reflexão sobre o teatro e sua situação atual. E claro, leva-nos à refletir, também, enquanto "audiência" teatral.
Na platéia, o queridíssimo Darci de Mônaco, além do psicólogo e dramaturgo Beto Oliveira, acompanhado de Rúbia Maroli, Olga Mendes, Gessé Rosa e muitos alunos do curso de Teatro da UNB, que foram prestigiar o novo espetáculo da colega Eunice Profeta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário