domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sobre "Antes do terceiro sinal"

Saí de "Antes do terceiro sinal" com aquela sensação gostosa que as boas comédias sempre proporcionam. Ri em vários momentos. Ri alto em alguns momentos. Mas não se precipite: a peça não é mais um besteirol no rol que a cada dia cresce, salvando da ruína produtores teatrais. É uma comédia leve, de bom gosto, com uma dramaturgia bem trabalhada, embora haja uma clara intensão de trazer um drama para o palco. A verdade é que o drama da atriz atormentada fica em segundo plano frente a persistência de seu companheiro em fazê-la entrar em cena. Seria uma tragicomédia se considerássemos seu final mas, sinceramente, a peça acaba um pouco antes do final. A peça termina quando toca o terceiro sinal, apesar da atriz Beatriz Falcão ( representada por Eunice Profeta ) continuar em cena.
A boa química entre a atriz e Alison Weler, já testada em peças anteriores, cria uma cumplicidade que se soma aos talentos individuais. Os diálogos travados entre os atores lembram-nos o teatro do absurdo, pois o mesmo teor da conversa se desenrola muitas vezes diante da platéia, como se o final do conflito não fosse possível, ao mesmo tempo em que a linguagem, impostação de voz dos atores, o figurino e algumas movimentações cênicas remetem-nos o teatro Realista. E essa é a principal característica do trabalho, que traz para a platéia informações sobre peças e estilos teatrais diversos, de Tchecov e Ibsen à Brech.
 Adilson Mariano utiliza-se da metateatralidade para trazer uma reflexão sobre o teatro e sua situação atual. E claro, leva-nos à refletir, também, enquanto "audiência" teatral.
Na platéia, o queridíssimo Darci de Mônaco, além do psicólogo e dramaturgo Beto Oliveira, acompanhado de Rúbia Maroli, Olga Mendes, Gessé Rosa e muitos alunos do curso de Teatro da UNB, que foram prestigiar o novo espetáculo da colega Eunice Profeta.

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