É um prazer participar da edição dos 25 anos do endança, esse projeto idealizado e sonhado pela grande pioneira Zélia Olguin, e hoje realizado por sua filha, Salete Olguin. O espetáculo baseia-se nas relações humanas, no que sou apenas porque o outro existe em minha vida. "O amor é repeito, tolerância, afeto e cuidado." Partindo dessa máxima, Edson Beserra conduziu todo o processo de criação num clima delicioso, cuidando de cada bailarino, de cada detalhe, cuidando para que todos vivessem, de fato, o que estamos dançando.
domingo, 30 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
Carlos Drummond Andrade - previsões erradas!
“Nenhum poema meu entrou para a História do Brasil. O que aconteceu foi o seguinte: ficaram como modismos e como frases feitas: ‘tinha uma pedra no meio do caminho’ e ‘e agora, José?’. Que eu saiba, só. Mais nada.
“Não tenho a menor pretensão de ser eterno. Pelo contrário: tenho a impressão de que daqui a vinte anos eu já estarei no Cemitério de São João Baptista. Ninguém vai falar de mim, graças a Deus. O que eu quero é paz”.
“Não tenho a menor pretensão de ser eterno. Pelo contrário: tenho a impressão de que daqui a vinte anos eu já estarei no Cemitério de São João Baptista. Ninguém vai falar de mim, graças a Deus. O que eu quero é paz”.
Carlos Drummond Andrade : sobre poesia
“Não lamento, na minha carreira intelectual, nada que tenha deixado de fazer. Não fiz muita coisa. Não fiz nada organizado. Não tive um projeto de vida literária. As coisas foram acontecendo ao sabor da inspiração e do acaso. Não houve nenhuma programação. Não tendo tido nenhuma ambição literária, fui mais poeta pelo desejo e pela necessidade de exprimir sensações e emoções que me perturbavam o espírito e me causavam angústia. Fiz da minha poesia um sofá de analista. É esta a minha definição do meu fazer poético. Não tive a pretensão de ganhar prêmios ou de brilhar pela poesia ou de me comparar com meus colegas poetas. Pelo contrário. Sempre admirei muito os poetas que se afinavam comigo. Mas jamais tive a tentação de me incluir entre eles como um dos tais famosos. Não tive nada a me lamentar. Também não tenho nada do que me gabar. De maneira nenhuma. Minha poesia é cheia de imperfeições. Se eu fosse crítico, apontaria muitos defeitos. Não vou apontar. Deixo para os outros. Minha obra é pública.
“Mas eu acho que chega. Não quero inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada”.
“Mas eu acho que chega. Não quero inundar o mundo com minha poesia. Seria uma pretensão exagerada”.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

Um encontro discreto entre o amor e o afeto, não tinha outra coisa.
Tinha nome de flor e vivia entre as palavras.
Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam.
Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração.
Nas histórias de amor há mais que amor.
Às vezes não há nenhum "eu te amo", mas se amam.
Um encontro discreto.
Eu a conheci por acaso no parque.
Ela não ocupava muito espaço, era do tamanho de uma pomba com as suas
penas.
Envolta em palavras, em nomes, como o meu.
Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram.
Não morra agora, há tempo, espere. Não é a hora, florzinha.
Me dê um pouco mais de você.
Me dê um pouco mais da sua vida.
Espere.
Nas histórias de amor
há mais que amor. Às vezes não há nem um
"eu te amo", mas se amam.
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
A frase final dessa poesia tem muito em comum com um filme francês muito delicado, delicioso, que assisti ontem no Cine Belas Artes: "Minhas tardes com Margueritte", que, com muita sensibilidade, nos diz que nem toda história de amor tem "eu te amo".
Já repararam isso? Vivemos grandes histórias de amor sem nos darmos conta disso. O amor pode ser sutil, aparecer de mansinho e corremos o risco de passarmos toda a vida sem saber que estamos vivendo um amor, de verdade.Tudo porque achamos que o amor é um grande luxo. Não é.

Um encontro discreto entre o amor e o afeto, não tinha outra coisa.
Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam.
Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração.
Nas histórias de amor há mais que amor.
Às vezes não há nenhum "eu te amo", mas se amam.
Um encontro discreto.
Eu a conheci por acaso no parque.
Ela não ocupava muito espaço, era do tamanho de uma pomba com as suas
penas.
Envolta em palavras, em nomes, como o meu.
Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram.
Não morra agora, há tempo, espere. Não é a hora, florzinha.
Me dê um pouco mais de você.
Me dê um pouco mais da sua vida.
Espere.
Nas histórias de amor
há mais que amor. Às vezes não há nem um
"eu te amo", mas se amam.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A poesia da vida comum
“A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquina. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta as pessoas e as coisas que não têm voz”
[Ferreira Gullar, Vanguarda e desenvolvimento]

Vendedores de capim e leite, Jean Baptiste Debret
© hemi.nyu.edu
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Um pouco sobre mim...Um pouco sobre poesia
Meu nome é Daniela. Sou advogada, atriz e bailarina. Esses são três ofícios que lidam, basicamente, com a poesia da vida. Pelo menos para mim é assim. Poesia da liberdade, dos direitos, poesia do corpo.
Sou nascida e criada no interior de Minas Gerais, o que também é poesia.
"O Mar de Minas não é no mar
Não entendo muito de tecnologia mas já estou me dando bem com meu blog, acho que com ele vou conseguir suprir uma carência de infância, que confesso aqui: Nunca consegui manter um diário. E isso é um grande fracasso tendo em vista o número de tentativas sem êxito e, principalmente, levando-se em consideração que esse realmente sempre foi um grande desejo meu. Acho que agora vai, já que passei da fase das tentativas e "só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder".
Ah, e sou mãe do Pedro e do Romeu, que estão aqui do meu lado, querendo entender tudo enquanto eu crio esse diário virtual. Esses dois meninos lindos me inspiraram na pesquisa das poesias infantis, que eu conto para eles (meu melhor público) antes de dormir, na hora do almoço, voltando à pé para casa. E eles às vezes
gostam, às vezes não. E eu vou entendendo que a poesia fala de um jeito diferente com cada pessoa, mas que todos são capazes de entendê-la e dela usufruir. Numa viagem à Capital, fui lendo para eles "Compêndio para uso dos pássaros", do Manoel de Barros. Eles, 5 e 4 anos à época, ouviram de olhos atentos, brilhantes. Toda viagem fica melhor com poesia. A vida fica melhor com poesia.
Seja bem vindo ao meu diário.
Meu nome é Daniela. Sou advogada, atriz e bailarina. Esses são três ofícios que lidam, basicamente, com a poesia da vida. Pelo menos para mim é assim. Poesia da liberdade, dos direitos, poesia do corpo.
Sou nascida e criada no interior de Minas Gerais, o que também é poesia.
"O Mar de Minas não é no mar
O Mar de Minas é no céu
Pro mundo olhar para cima e navegar
Sem nunca ter um porto aonde chegar.....
Pro mundo olhar para cima e navegar
Sem nunca ter um porto aonde chegar.....
Que coisa mais louca: uma “Maria Fumaça” resfolegando e apitando sob o mar infinito.
Minas Gerais é assim: mistério........"
Por: Rubem Alves / Cenas da vida.
Não entendo muito de tecnologia mas já estou me dando bem com meu blog, acho que com ele vou conseguir suprir uma carência de infância, que confesso aqui: Nunca consegui manter um diário. E isso é um grande fracasso tendo em vista o número de tentativas sem êxito e, principalmente, levando-se em consideração que esse realmente sempre foi um grande desejo meu. Acho que agora vai, já que passei da fase das tentativas e "só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder".
Ah, e sou mãe do Pedro e do Romeu, que estão aqui do meu lado, querendo entender tudo enquanto eu crio esse diário virtual. Esses dois meninos lindos me inspiraram na pesquisa das poesias infantis, que eu conto para eles (meu melhor público) antes de dormir, na hora do almoço, voltando à pé para casa. E eles às vezes
gostam, às vezes não. E eu vou entendendo que a poesia fala de um jeito diferente com cada pessoa, mas que todos são capazes de entendê-la e dela usufruir. Numa viagem à Capital, fui lendo para eles "Compêndio para uso dos pássaros", do Manoel de Barros. Eles, 5 e 4 anos à época, ouviram de olhos atentos, brilhantes. Toda viagem fica melhor com poesia. A vida fica melhor com poesia.
Seja bem vindo ao meu diário.
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